Meio ambiente Alter do Chão

Polícia Civil do Pará indicia quatro brigadistas de Alter do Chão por queimadas

A polícia afirma que eles tinham interesse em divulgar fotos de queimadas para conseguir doações. Entre eles estão os quatro brigadistas que foram presos e depois liberados.

Por Administrador

20/12/2019 às 22:01:44 - Atualizado há
Os quatro brigadistas de Alter do Chão, no dia em que foram libertados da prisão preventiva, em Santarém Foto: Sílvia Vieira / Agência O Globo

A Polícia Civil do Pará indiciou cinco pessoas por incêndios na área de proteção de Alter do Chão, no oeste do estado. Entre elas, quatro brigadistas. Todos os indiciados negam os crimes.

A polícia concluiu o inquérito com base em materiais apreendidos, interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e nos depoimentos de testemunhas que participaram do combate às queimadas em Alter do Chão.

Um dos depoimentos foi de Westerley Rocha Ramalho, que disse que pilotava um drone para a Associação de Reservistas de Santarém, entidade que prestou assistência no combate aos incêndios.

Westerley afirmou que levantou o drone e não visualizou nenhum foco de incêndio, mas que minutos depois surgiram dois brigadistas apontando incêndio na área.

Westerley também disse que um dos membros da brigada gritou que ali teria fogo e que esse brigadista exalava cheiro de combustível. Westerley identificou o brigadista como sendo João Victor Pereira Romano.

Ainda segundo o inquérito, uma testemunha identificada como Joel Silva de Souza, que passava pela região no momento das queimadas, disse ter visto 13 pessoas com equipamentos de combate ao incêndio, máquinas fotográficas e câmeras. E passaram a efetuar inúmeras fotos do local.

Joel afirmou também que integrantes desse grupo o impediram de registrar fotos com o celular dele.

A polícia afirmou também que análises no celular apreendido de um dos brigadistas, Marcelo Aron Cwerner mostram que ele esteve na região das queimadas às 13h07 do dia 14 de setembro, antes do início do incêndio, que segundo as investigações começaram por volta das 14h.

A Polícia Civil afirma que os indícios coletados demonstram o interesse dos brigadistas em disseminar registros fotográficos em âmbito nacional e internacional com a finalidade de promoção das queimadas e para conseguirem vantagens financeiras através de doações.

A polícia indiciou os brigadistas Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Marcelo Aron Cwerner, Gustavo de Almeida Fernandes e também o brigadista Ronnis Repolho Blair - ele não faz parte da brigada de incêndio florestal de Alter do Chão, com os outros quatro investigados, mas segundo a polícia, também teve participação nas queimadas.

A Polícia Civil indiciou os cinco brigadistas por crime ambiental e associação criminosa. O inquérito foi enviado ao Ministério Público do Pará, que vai decidir se oferece ou não denúncia à Justiça.

Há três meses, um incêndio atingiu a área de proteção ambiental de Alter do Chão, em Santarém. O fogo durou quatro dias e destruiu uma área de 1.100 hectares.

No fim de novembro, a Polícia Civil prendeu preventivamente os quatro brigadistas. O caso teve repercussão internacional. Organizações de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos protestaram contra as prisões.

Dois dias depois de detidos, os brigadistas foram soltos. Depois da pressão internacional, o governo do Pará trocou o delegado responsável pelo inquérito.

O MPF afirmou na época que, desde setembro, a Polícia Federal está investigando os incêndios em Alter do Chão e que nenhum elemento leva à participação de brigadistas ou organizações da sociedade civil.

O MPF apura se as queimadas podem ter relação com a grilagem de terras na região. A Polícia Federal também investiga o caso.

Os brigadistas negam as suspeitas. Nesta sexta (20), a defesa afirmou que a investigação está repleta de ilegalidades e arbitrariedades.

"A grande dúvida são esses quatro jovens, sem precedentes, morando há cinco anos no local com as suas esposas e crianças. Eles são culpados? Ou são criminosos armados em busca de lucro fácil e rápido em cima de terra pública? A investigação tenta construir uma narrativa sem qualquer base de prova. Os depoimentos que indicam supostamente o que está sendo dito na investigação são meros depoimentos surgidos de uma hora para outra e de forma estranha. Não têm comprovação de uma prova pericial técnica. Não aguardou provas produzidas em outras investigações e ignora, efetivamente não buscou nenhuma evidência que já foi amplamente divulgada, inclusive pela imprensa, de que há ações de criminosos armados na tentativa ilegal de busca de terra naquele local", disse o advogado Beto Vasconcelos.

O Jornal Nacional não obteve contato com a defesa de Ronnis Repolho Blair, que também foi indiciado.

A WWF Brasil manifestou espanto e indignação com o indiciamento e declarou que não há qualquer prova consistente contra os ativistas, que claramente estão sendo alvo de uma injusta perseguição pelas autoridades locais.

O projeto Saúde e Alegria, que atua na região atendendo comunidades ribeirinhas há mais de 30 anos afirmou que confia na Justiça e pediu mais seriedade e correção nas investigações para que a verdade venha à tona.

Fonte: Jornal Nacional no G1
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