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Em queda há 5 anos, coberturas vacinais preocupam Ministério da Saúde

Por Administrador

16/10/2020 às 17:46:23 - Atualizado h√°

 

“Esse é um dado bastante importante, que preocupa muito o Ministério da Saúde e deve preocupar todos os profissionais de saúde para que a gente una esfor√ßos e trabalhe para ampliar essas coberturas vacinais”, disse Francieli Fontana, que avalia que a pandemia da covid-19 deve ter influenciado as coberturas vacinais. “A gente ainda n√£o tem uma avalia√ß√£o real do impacto da pandemia nas coberturas vacinais, mas acredita-se que, sim, vamos ter prejuízos em rela√ß√£o à cobertura vacinal devido a esse momento”.

Conhe√ßa asvacinasrecomendadas pelo Ministério da Saúde para cada faixa et√°ria.

Francieli Fontana explicou que a queda nas coberturas vacinais durante a pandemia foi um fenômeno sentido globalmente. Segundo a Organiza√ß√£o Mundial da Saúde (OMS), 125 campanhas de vacina√ß√£o que estavam marcadas para o primeiro semestre de 2020 foram adiadas. O problema da interrup√ß√£o dos servi√ßos de vacina√ß√£o levou a OMS e o Fundo das Na√ß√Ķes Unidas para a Inf√Ęncia (Unicef) a alertarem que 117 milh√Ķes de crian√ßas em 37 países poderiam deixar de receber a vacina contra o sarampo, que também provocou surtos em diversas partes do mundo nos últimos anos, incluindo o Brasil.

A queda nas coberturas desafia o Programa Nacional de Imuniza√ß√Ķes do Sistema Único de Saúde, considerado um dos mais amplos e bem sucedidos do mundo. O programa teve um aumento expressivo nas taxas de vacina√ß√£o entre 1980 e 1995, ano a partir do qual as taxas ficaram est√°veis em patamares elevados, e, em alguns casos, superiores a 100%. O recuo teve início em 2015, e, antes da pandemia, j√° pesavam fatores como hor√°rios de funcionamento das unidades de saúde, a circula√ß√£o de informa√ß√Ķes falsas sobre a seguran√ßa das vacinas e até mesmo a impress√£o de que as doen√ßas imunopreveníveis j√° deixaram de existir.

“Se tivemos sucesso, é porque tínhamos coberturas vacinais altas. A partir do momento que passamos a ter uma cobertura vacinal baixa, pode haver uma reintrodu√ß√£o de doen√ßas que j√° foram eliminadas”, alerta Francieli Fontana, que cita o exemplo do sarampo, que chegou a ser considerado erradicado do Brasil e hoje apresenta transmiss√£o ativa em quatro estados e casos em 21.

A coordenadora do PNI também destaca a necessidade de engajamento e capacita√ß√£o do profissionais de saúde, para transmitirem informa√ß√Ķes corretas à popula√ß√£o. “A gente verifica muitas fake news, muitas notícias falsas, e, muitas vezes, o profissional de saúde, em vez de buscar uma fonte segura e se empoderar em rela√ß√£o ao conhecimento, ele multiplica essa notícia. É importante que a gente busque informa√ß√£o fidedigna, para que a gente possa ter seguran√ßa em orientar a popula√ß√£o”.

Entre as a√ß√Ķes do Ministério da Saúde para combater a queda das coberturas vacinais est√° o Movimento Vacina Brasil, que inclui iniciativas como a amplia√ß√£o do hor√°rio de funcionamento dos postos de vacina√ß√£o e um canal de telefone eWhatsapppara desmentir notícias falsas, no número 61 99289-4640. Também est√£o em andamento três campanhas de vacina√ß√£o: uma contra o sarampo, desde mar√ßo, e as campanhas contra a poliomielite e de multivacina√ß√£o, desde 5 de outubro. Amanh√£ (17), para o Dia D, postos de vacina√ß√£o em todo o Brasil estar√£o abertos para aplicar as doses, tirar dúvidas e atualizar as carteirinhas.

Diretor da Sociedade Brasileira de Imuniza√ß√Ķes, o infectologista Guido Levi lembra que cumprir o calend√°rio de vacina√ß√£o é uma obriga√ß√£o dos cidad√£os prevista em lei desde a cria√ß√£o do Programa Nacional de Imuniza√ß√Ķes, na década de 70. “Estamos vendo a responsabilidade social, n√£o mais a responsabilidade individual. É o indivíduo como membro da sociedade. É uma situa√ß√£o diferente da sua autonomia para tratar um glaucoma ou uma doen√ßa n√£o contagiosa”, afirma ele, que cita estudos que atribuem às vacinas um aumento de cerca de 30 anos na expectativa de vida global ao longo do Século 20.

Apesar de instrumentos legais como o Estatuto de Crian√ßa e do Adolescente preverem a possibilidade de acionar o Conselho Tutelar em caso de recusa à vacina√ß√£o por parte dos respons√°veis por uma crian√ßa, Levi afirma que o di√°logo com informa√ß√Ķes claras deve ser o principal instrumento de profissionais da saúde e da educa√ß√£o que se depararem com cadernetas de vacina√ß√£o incompletas.

“O conselho tutelar é uma última inst√Ęncia. A primeira inst√Ęncia é informa√ß√£o, informa√ß√£o e informa√ß√£o. Quando uma crian√ßa vem à escola com a carteirinha incompleta, deve-se chamar os pais e respons√°veis, conversar com eles. É muito importante a conversa olho no olho, porque sabemos que os profissionais de saúde tem um alto nível de confiabilidade no nosso país”, afirmou. “Se fizermos tudo isso, tenho certeza que a maioria dos pais e respons√°veis vai pôr em dia a vacina√ß√£o das crian√ßas”.

Fonte: Banda B
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