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Empatia pode ser a chave para combater fake news sobre vacinas

Por Administrador

17/10/2020 às 14:00:32 - Atualizado h√°

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza√ß√Ķes (SBIm), Isabela Ballalai, defendeque é preciso tratar dos temas que preocupam as pessoas - Reprodu√ß√£o YouTube/SBIm

"Nossa comunica√ß√£o precisa ser t√£o emp√°tica quanto as fake news. Elas s√£o muito atrativas porque s√£o emp√°ticas. Elas falam a língua das pessoas e sabem o que as pessoas pensam", disse. "Hoje, o mundo n√£o é mais passivo. As pessoas querem entender melhor e querem ouvir isso com clareza."

Integrante do grupo consultivo da rede pela seguran√ßa das vacinas da Organiza√ß√£o Mundial da Saúde (OMS), Isabela Ballalai explica que a comunica√ß√£o sobre o tema deve ser permanente inclusive para que profissionais de saúde estejam capacitados a n√£o hesitar e a recomendar as vacinas.

"N√£o tem nada pior do que o profissional de saúde pego de surpresa", afirma ela, que analisa que as fake news apelam a dois elementos que historicamente despertam o interesse das pessoas: as teorias de conspira√ß√£o e os rumores sobre supostos segredos. "A desconfian√ßa faz parte de nós. E outra coisa que faz parte de nós é a fofoca. Juntar teoria de conspira√ß√£o e disse-me-disse é tudo que as fake news est√£o fazendo".

Infodemia

A cientista comportamental sênior da Divis√£o de Imuniza√ß√£o Global do Centro de Controle e Preven√ß√£o de Doen√ßas dos Estados Unidos (CDC), Neetu Abad, destacou que o mundo vive uma "infodemia", em que o excesso de informa√ß√Ķes, incluindo as fake news, est√£o causando confus√£o, comportamentos de risco e falta de confian√ßa nas autoridades de saúde durante a pandemia.

"Quando estamos lidando com uma pandemia como a de covid-19, essa confian√ßa nas autoridades de saúde é o principal elemento que precisamos fortalecer. E isso est√° sendo muito afetado pela dissemina√ß√£o de notícias falsas", disse Neetu Abad, que explicou que o grupo que recusa totalmente as vacinas é pequeno, mas ponderou que a maior parte das pessoas est√° em um espectro de aceita√ß√£o passiva ou hesita√ß√£o às vacinas, sem demandar por elas.

A OMS j√° manifestou preocupa√ß√£o sobre a "infodemia" de desinforma√ß√£o, que, segundo o diretor-geral, Tedros Adhanom, "se espalha mais r√°pido e mais facilmente que o vírus, e é t√£o perigosa quanto".

Para Netu, h√° uma série de estratégias que podem ser aplicadas, mas elas partem de entender as dúvidas e hesita√ß√Ķes mais comuns e identificar quem s√£o os disseminadores de desinforma√ß√£o e como eles afetam o comportamento de diferentes grupos populacionais.

"Desinforma√ß√£o é um tópico que estamos todos enfrentando. Se tornou rapidamente um assunto importante durante essa pandemia. Uma das primeiras coisas que tentamos fazer é muita escuta", disse a cientista sobre o trabalho que vem sendo feito no CDC, que busca entender, prioritariamente, a hesita√ß√£o dos profissionais de saúde.

"Precisamos entender as preocupa√ß√Ķes, quais desafios podemostere antecip√°-los, porque, se n√£o vacinarmos bem nossos profissionais de saúde ou se eles n√£o quiserem se vacinar, vamostermais dificuldades com a aceita√ß√£o do público em geral".

A pesquisadora recomenda que haja total transparência e clareza em rela√ß√£o aos processos de testagem e cuidados com a seguran√ßa das vacinas contra a covid-19, assim como sobre as incertezas ainda envolvidas.

"Precisamos ser muito transparentes com o que sabemos e o que n√£o sabemos. Se tentarmos prometer demais, se tentarmos fazer parecer que n√£o h√° nenhum problema e que é uma solu√ß√£o milagrosa, vamosterproblemas ao longo do tempo. Vai ser problem√°tico para a confian√ßa", alertou Neetu Abad, que defendeu que os países precisam estar preparados para investigar e comunicar efeitos adversos. "Prometer demais é uma armadilha que precisamos evitar."

Fonte: Agência Brasil
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